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Santana do São Francisco ‘respira’ artesanato  

‘Capital do Artesanato de Barro’, município oferece, também, opções turísticas como banho de rio, passeio da Rota do Imperador, gastronomia e turismo religioso

Publicação: 09/07/2024

Município tem o ar bucólico das cidades do interior

Santana do São Francisco é uma cidade sergipana localizada a 121 quilômetros da capital, Aracaju. Apesar de jovem – tem apenas 31 anos –, é famosa em Sergipe por se destacar na produção de peças cerâmicas. Tanto que é também conhecida como a ‘Capital do Artesanato de Barro’. E o título não é exagero. Basta um passeio pelo pequeno município na região do Baixo São Francisco para constatar que o povo santanense ‘respira’ artesanato. Fabriquetas, olarias e ateliês se multiplicam e os produtos cerâmicos ficam expostos em calçadas, fazendo parte do cenário bucólico às margens do Rio São Francisco.

Antes denominado Povoado Carrapicho, o lugarejo era integrado ao município de Neópolis. O processo de elevação à categoria de cidade teve início em 1962, enquanto o projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) por meio da Lei nº 1.254, de 6 de abril de 1964. No entanto, a lei foi ‘esquecida’ e, no final das contas, foi somente em 1º de janeiro de 1993 que, enfim, o povoado foi alçado ao status de cidade.

O nome do município é uma homenagem à padroeira Senhora Sant’Ana e ao santo que empresta a alcunha ao rio que o banha. Estendendo-se por 45,6 quilômetros quadrados, possui cerca de 7,4 mil habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São vizinhos os municípios sergipanos de Neópolis e Pacatuba, e a cidade alagoana Penedo, que fica do outro lado do Velho Chico.

 

O artesanato

Olarias, ateliês e fabriquetas do artesanato de barro

O surgimento dos primeiros artefatos manuais com barro se deu pela facilidade de trabalhar aquele tipo de solo, bem como pela necessidade por utensílios domésticos. O primeiro artesão foi José Feliciano Passos. A cerâmica, então, se propagou na região, transformando-se logo em fonte produtiva do ponto de vista econômico, gerando emprego e renda. Hoje, Santana do São Francisco possui, aproximadamente, 40 olarias, ateliês e fabriquetas, onde atuam mais de 600 artesãos. Desses, apenas um terço ostenta carteira de profissional. No passado, a produção chegava a 40 mil peças mensalmente, mas, atualmente, a prefeitura não se sabe ao certo quantas são produzidas a cada mês. O fato é que todo esse contexto deu a Santana do São Francisco, em 2022, o título de ‘Capital do Artesanato de Barro’, reconhecida pela Lei nº 8.981.

No Centro Comercial de Artesanato Edilson de Oliveira Fortes, um dos pontos turísticos do município, inaugurado em 2019, há cerca de 60 artesãos associados. O espaço foi batizado com o nome de um dos mais importantes artistas do município, que, com outras pessoas, também foi idealizador do centro. Ali, os visitantes têm uma infinidade de peças cerâmicas à venda: de bibelôs a estátuas e imagens religiosas, passando por filtros e jarros, entre outros objetos para decoração. Assim, todos dias, centenas de pessoas visitam a cidade em busca de adquirir o famoso artesanato de Santana do São Francisco. Detalhe: o município é um dos maiores produtores de filtros do Brasil, confeccionados pela família Leon.

Esculturas que retratam a arte rica em detalhes

Vale salientar que muitos artesãos de Santana ganharam destaque e até fama internacional. O mais famoso deles, sem dúvida, é José Roberto Freitas, o Beto Pezão, dono de uma arte rica em detalhes e expressões. As esculturas dele possuem traços fortes e detalhes marcantes, que emocionam ao expressar nos rostos as adversidades da vida agreste das figuras humanas do sertão, como vaqueiros, mendigos, pescadores, lavadeiras, entre outros. Os pés grandes, alongados, surgiram para dar mais estabilidade às peças e se tornaram uma marca do artista. Além de Beto Pezão, ressalte os nomes de Wilson Capilé, Chicô, Edson de Heleno, Lulu, Douglas, Antônio dos Anjos e Patori, que são irmãos, e Cachoba, que é santeiro.

 

Mais atrativos

Banho de rio mais popular é na Praia da Saúde

Com, aproximadamente, 10 quilômetros de costa do São Francisco, o município oferece a opção do banho de rio. E há vários pontos – pequenas praias –, onde visitantes e turistas podem aproveitar para se refrescar, especialmente no verão. Hoje, a mais popular e mais frequentada é a Praia da Saúde, no povoado de mesmo nome, que conta com cerca de 20 barracas com estrutura de bar para atendimento ao público. Nos finais de semana, dezenas de ônibus aportam no local, vindos do interior e da capital sergipana.

Outra opção de passeio é a Rota do Imperador, o mais novo produto turístico de Sergipe. O itinerário, realizado a bordo de um catamarã pelas águas do Velho Chico, é iniciado em Santana do São Francisco, passando por Neópolis e Penedo. É um passeio integrado à natureza que une lazer, cultura e a História do Brasil Imperial.

A Rota do Imperador revive a expedição histórica feita por Dom Pedro II

Trata-se de uma rota turística que revive a expedição histórica feita em 14 de outubro de 1859 por Dom Pedro II, último imperador da História do Brasil. O historiador Luiz Monteiro, vestido a caráter, representa a figura do ‘Imperador do São Francisco’, como era denominado, apresentando essa experiência com uma narrativa bem-humorada em primeira pessoa.

A embarcação tem capacidade para 120 passageiros e sai entre quarta-feira e domingo, levando os turistas para conhecer todo o estuário do Rio São Francisco, com a parada em uma ilha, com toda a estrutura de serviço de bar e restaurante. Com duração de cinco horas e meia, o passeio conta com um belo cenário que expõe o contexto histórico da viagem, apresentado no curso das águas verdes do Velho Chico. Ali, é revelada também a exuberância de outras belezas naturais, como a flora intocada pela ação do homem.

 

Delícias gastronômicas

A pilombeta frita é sempre pedida como tira-gosto

Em Santana do São Francisco, a gastronomia tem como base a carne de sol, que é muito produzida e consumida na região. Além disso, há também iguarias feitas de frutos do mar e também da água doce, como camarão dos tipos saborica e pitu; peixes, como tilápia e pilombeta; além do maçunim, que é um tipo de marisco. Muitas dessas delícias são servidas como tira-gostos, mas a preferida de turistas e visitantes é a moqueca de camarão pescado no próprio Rio São Francisco, perfeita para o almoço.

 

Turismo religioso

Na festa da padroeira  tem celebração religiosa

No mês de julho, a padroeira Senhora Sant’Ana também atrai muitos visitantes ao município, fortalecendo o turismo religioso no estado. A festa católica em homenagem à avó de Jesus Cristo é celebrada em Santana do São Francisco no dia 26. Além da celebração religiosa, a prefeitura realiza a festa social, que, neste ano, acontecerá entre os dias 12 e 14, de sexta-feira a domingo, com apresentações musicais que atraem muita gente da região.

Inclusive, no domingo, acontece a cavalgada do Mastro de Senhora Sant’Ana. Tradição no município, o evento começa com a captura de um tronco retirado nos limites com Neópolis e levado num cortejo de mais ou menos 16 quilômetros até a frente da igreja matriz, onde o mastro é montado com a bandeira da santa. A cavalgada, aliás, é a maior do Baixo São Francisco. Para este ano, cerca de 6 mil cavalos já foram cadastrados.

 

Hospedagem

Santana do São Francisco possui três unidades hoteleiras, que, juntas, somam algo em torno de cem leitos. Inclusive, uma dessas unidades foi concluída recentemente. O hotel tem 20 apartamentos num total de 60 leitos, área de convivência com piscina com borda infinita às margens do Velho Chico, restaurante e auditório para 150 pessoas, destinado à atividade de turismo de eventos, principalmente os de imersão. Vale destacar que a cidade chega a ter ter 200 leitos, contando com imóveis de moradores que sempre recebem turistas, visitantes, familiares e amigos para eventos como a festa da padroeira.