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Palácio Museu Olímpio Campos revela riquezas históricas

Arte e História se mesclam em um só lugar, retratando e preservando a narrativa política de Sergipe

Publicação: 13/06/2024

Uma preciosidade cultural que preserva a história política de Sergipe, o Palácio Museu Olímpio Campos (PMOC) é um lugar fascinante. Em cada cômodo por onde o visitante passa, salas de estar ricamente decoradas, salões de banquetes e áreas de exposição cultural dedicados a diferentes períodos da história local oferecem uma experiência enriquecedora para quem busca conhecer mais sobre a rica herança política do estado.

O Palácio Museu está situado no Centro de Aracaju

Situado no Centro de Aracaju, na praça que leva o mesmo nome do museu, o Palácio foi inaugurado em 1863. Inclusive, o prédio foi a sede do Governo do Estado até o final dos anos 1980, época do governo de Antônio Carlos Valadares. No início dos anos 1990, já no governo de Albano Franco, o imóvel teve que ser desativado em 1992, porque não estava mais comportando o número de funcionários do alto escalão do governo. Então, a sede administrativa foi transferida para a Avenida Adélia Franco, onde, até os dias atuais, funciona o Palácio Governador Augusto Franco (Palácio dos Despachos). Desse modo, o Palácio Olímpio Campos permaneceu desativado por alguns anos. Em 2007, o governo de Marcelo Déda iniciou a revitalização e o prédio foi reinaugurado em 2010 como Palácio Museu, concepção utilizada até os dias atuais.

Com curadoria cuidadosa e um ambiente admirável, este museu conta com uma vasta coleção de obras de arte, documentos e artefatos históricos. Mais do que uma estrutura arquitetônica com detalhes ornamentais, o Palácio Museu Olímpio Campos é símbolo vivo da rica história política que moldou Sergipe ao longo dos séculos, distribuídos em salas temáticas. No térreo, há Espaço Província, Espaço República, Espaço Arnaldo Garcez, Espaço Olímpio Campos e Fausto Cardoso, e a Galeria de Artes Eurico Luiz. E, no pavimento superior, sala de espera, salão nobre, gabinete do governador, entre outros. Que tal conhecer um pouco sobre cada espaço e ainda ficar por dentro de algumas curiosidades que cada um guarda?

 

Explorando cômodos

No hall, um lustre dos anos 1950

No rol do Palácio Museu, monitores apresentam ao visitante uma breve história deste monumento, cuja arquitetura é do estilo neoclássico. Também são abordadas reformas importantes, entre elas, das Missões Italianas, nos anos 1920, feita pelo presidente de estado, Joaquim Pereira Lobo, responsável por trazer uma missão com artistas italianos que dotaram o ambiente com maior requinte. Nos anos 1950, o governo de Leandro Maciel encomendou os lustres, um deles bem imponente no rol de entrada, além de duas pinturas, que, inclusive, estão expostas nesse espaço: do lado esquerdo, a que representa a economia de Sergipe no Período Colonial (criação de gado e a cana de açúcar), e a do lado direito, a economia de Sergipe no Período Republicano (extração do sal e a cultura do coco).

 

Espaço Província

Neste espaço, é abordada a história de Sergipe desde a época do Império Brasileiro, assim como a Emancipação Política de Sergipe, em 1820, concedida pelo rei de Portugal, Dom João VI, que permitiu a conquista de Sergipe se desmembrar da Bahia. Lá, há um mural em ordem cronológica de mandato, com todos os presidentes de província, entre eles, Inácio Joaquim Barbosa (1853 a 1855) com a transferência da capital; João Gomes de Melo, o Barão de Maruim (1855 a 1856); e Joaquim Jacinto de Mendonça (1861 a 1863), quando esse Palácio foi inaugurado.

História de Sergipe desde a época do Império Brasileiro

Além de acervo com objetos da época, a exemplo de uma penteadeira do século XIX, que pertenceu à família do Barão do Maruim, uma moldura do Museu Histórico de São Cristóvão, que foi a antiga sede da Província de Sergipe, há dois documentos importantíssimos: a cópia do decreto de Emancipação Política de Sergipe e a página do diário de Dom Pedro II, em que ele relatou a visita a Aracaju em 1860.

Também está exposto o brasão do governo imperial feito por um artista de Boquim, uma fotografia da urna com restos mortais de Dom Pedro I, quando o governo brasileiro, para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil, fez uma turnê com esta urna pelo Brasil. Em Aracaju, ficou exposta para visitação durante dois dias. Além desses objetos, há dois bustos: um de Dom Pedro I, presenteado pelo governo brasileiro; e outro de Dom Pedro II, filho dele. Este foi feita em bronze pelo artista sergipano Bené Santana.

 

Espaço República Felisbelo Freire

Mural com todos os presidentes de estado que Sergipe teve

O nome deste espaço é em homenagem ao médico, historiador e republicano nato Felisbelo Freire, que foi o primeiro presidente de Estado de Sergipe, responsável por instaurar a República no estado. Lá, há um mural com todos os presidentes de estado que Sergipe teve, a exposição do primeiro Diário Oficial do Estado de Sergipe (edição número 1, de 1º de setembro de 1895), a bandeira do Brasil (versão atual desde a época em que foi instituída no Brasil República), bandeira de Sergipe, um mural com outros governadores, livros com biografia de alguns governadores, a Constituição de Sergipe e a exposição de alguns objetos que pertenceram aos governadores Paulo Barreto e Arnaldo Garcia.

 

Espaço Arnaldo Garcez

Totens sobre a história do Palácio e a história de Aracaju

Neste ambiente, há quatro totens que informam sobre a história do Palácio e a história de Aracaju. O primeiro sobre ‘a nova capital’, Aracaju, e significado do nome da cidade. O segundo sobre a história do Palácio com algumas fotografias de como ele era antes. O terceiro totem é sobre a missão italiana responsável pela principal reforma do edificação. E o quarto sobre o patrono Monsenhor Olímpio Campos, que nomeia o Palácio Museu. Também neste local, há dois óleos sobre tela: de Olímpio Campos e de Marcelo Déda, ambas obras do artista plástico Bené Santana, além de fotografias da reinauguração do Palácio Museu e imagem ilustrativa do discurso de Marcelo Déda, governador à época, quando a edificação foi reinaugurada.

 

Espaço Fausto Cardoso

Neste espaço, que fica num corredor, há quadros com ilustrações que relatam o embate político entre Fausto Cardoso, que foi deputado federal por Sergipe pelo Partido Progressista, e Olímpio Campos, que foi o primeiro presidente de Estado e depois senador. Essas duas figuras políticas de Sergipe foram brutamente assassinadas por rivalidade política e disputa de poder.

Foto de Olímpio Campos e ao lado, lamparina 

Objetos, também, estão expostos neste ambiente, como o diploma original de Fausto Cardoso (4 de março de 1884), quando se formou na Faculdade de Direito do Recife, que, no século XIX, era uma das principais faculdades de Direito do país. Além disso, há alguns objetos que foram cedidos pela família dele, como a gravura de advogado e uma parte de uma página de um jornal falando sobre ele, e mais objetos que pertenceram a Olímpio Campos, como uma lamparina de quando ele era padre da Catedral Nossa Senhora da Conceição.

 

Galeria de Arte Eurico Luiz

No teto, pinturas que representa a diversidade de frutas de Sergipe

Eurico Luiz, que dá nome ao espaço, foi o artista que fez a pintura do teto desse ambiente em que é representada a diversidade de frutas que existem em Sergipe, e os povos que formaram o sergipanos: os indígenas, negros, brancos e mestiços. Nesta sala, ficam em exposição obras de artistas sergipanos, a exemplo do laranjeirense Horácio Hora, o estanciano José de Dome, assim como aqueles que tiveram alguma relação com o estado, como Wellington Luiz. No momento, em alusão à 22ª Semana Nacional dos Museus, está em exposição um acervo especial do Museu com utensílios que faziam parte da prataria do palácio, louças em porcelana com a logomarca do governo, que eram utilizadas na época em que os governadores ali residiam.

 

Espaço Cidade Aracaju Joaquim Inácio Barbosa

Maquete que mostra como era a capital sergipana em 1920

Joaquim Inácio Barbosa foi quem realizou a transferência da capital e fundou Aracaju. Nesse espaço, há uma maquete que mostra como era a capital sergipana em 1920. Durante a visitação, os monitores apresentam alguns pontos importantes, como a Ponte do Imperador, o Palácio do Governo, Palácio de Justiça, Palácio da Assembleia, Tesouro do Estado, Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, Colégio Jackson de Figueiredo (que, na época, era uma escola só para meninos), a casa da família de Fausto Cardoso, Igreja de São Salvador (primeira igreja de Aracaju), Mercado Antônio Franco, entre outros. Além da maquete, há exposições com fotos antigas de Aracaju anos 1950, 1960, 1970 e 1980, além de fotos de como está a cidade nos dia atuais, possibilitando que visitantes comparem as mudanças e o crescimento de Aracaju.

 

Pavimento superior

Estátuas de Poisedon que representam as divisas de Sergipe

Antes dos últimos lances de escadas que dão acesso ao pavimento superior, monitores falam sobre duas estátuas que ali estão e representam as divisas de Sergipe, feitas por águas, para que assimilem artisticamente os limites fluviais de Sergipe com o Deus dos mares, o Deus grego Poisedon (Deus das águas, na cultura grega), que representa a divisa do Rio São Francisco feita com Alagoas; e ele, na cultura romana, como Neturno, que representa a divisa com a Bahia feito pelo Rio Real. Há, também, chapeleiras do século XX e jarros ânfora.

 

Sala de espera

Mesa com 19 assentos, onde acontecia a audiência com o governador

Na sala de espera, parte da mobília é do final do século XIX, início do século XX. Este espaço era para recepcionar os políticos, pessoas de entidades da sociedade civil, que vinham ter audiência com o governador, assim como para reuniões com o secretariado. Na sala, há uma mesa com 19 assentos, onde acontecia a audiência com o governador. É a única sala do pavimento superior que ainda é utilizada, pois, em eventos extraordinários, o governador Fábio Mitidieri a utiliza para recepcionar figuras importantes, como governadores de outros estados, ministros e embaixadores.

 

Sala de recepção

Nesta sala, mobília do século XIX

Nesta sala, dos objetos mais destacados, o lustre fica no centro do salão, de Maria Teresa, composto por cristais e bronze, que revelam sofisticação, além de mobília do século XIX e dois pianos que foram colocados no ambiente na época do governador Gonçalo Rollemberg Leite. Há, ainda, uma obra da Praça São Francisco. Na sala, existem janelas, onde, da sacada, os governadores, quando eleitos, discursavam para a população.

 

Salão nobre

Ambiente conta com móvel decorativo com detalhes em ouro

No salão nobre tem uma obra da missão italiana do século XIX no teto, mobília como um móvel decorativo com detalhes em ouro, medalhas de honraria que o Governo do Estado presenteia personalidades, como a medalha da Ordem Aperipê, um dos quadros mais famosos do artista sergipano Horácio Hora,”Miséria e Caridade”, que revela o contraste entre a condição de miséria e a ajuda da caridade cristã. Tem também um piano de gabinete do século XX , e sobre ele uma fotografia preto e branco da filha do governador Lourival Batista, Adenir Falcão Batista que se casou no Palácio.

 

Sala da secretária do governador

Neste ambiente, objetos como uma máquina de datilografia, telefone antigo. Ao lado desta sala, há outra, onde estão expostos alguns móveis mais contemporâneos em relação aos dos outros salões, e quadros com fotografias dos vice-governadores de Sergipe.

Sala onde o governador despachava

Gabinete do governador

Esta é a sala onde o governador ficava a maior parte do tempo, onde despachava algum documento, assinava a leis e projetos de leis, entre outros. Nela, há um quadro que homenageia o ex-presidente do Brasil, Getúlio Vargas, quando esteve em Sergipe, além de fotografias dos ex-governadores Seixas Dórea e Fausto Cardoso.

 

Sala íntima

Onde o governador ficava com a família

Quando o Palácio era residência, a sala íntima era um espaço de estar com rádio do início do século XX, chapeleira, imagem de Santo Antônio e cadeira de balanço. Era onde o governador ficava com a família, mas, atualmente, a mobília que compõe o espaço é o quarto do governador com a cama, guarda-roupa e penteadeira que estavam no Palácio de Veraneio, no Bairro Atalaia.

 

Quarto do governador

Este espaço possui, além de guarda-roupa e um genuflexório, objeto que revelava status da alta sociedade na época, utilizado para se ajoelhar e fazer suas orações, há a cama de casal com lençol de renda irlandesa, Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Sergipe. Foi nesse quarto que Seixas Dórea foi preso por militares enquanto ele dormia com a esposa, em 2 de abril de 1964.

Sala com fotos de mulheres que ocuparam espaço na política sergipana

Ao lado, há outro quarto com objetos como candeeiro a gás e cadeira do século XIX, e mobílias com o brasão do Governo de Sergipe, como a cama, guarda-roupas, penteadeira e oratório. E há mais outro quarto, onde se acomodavam os filhos do governador. Neste espaço, há a cor rosa predominante, com a exposição de alguns objetos sob a penteadeira. Nele, são homenageadas as mulheres que ocuparam espaço na política sergipana, com fotografias da primeira mulher a ocupar um cargo político em Sergipe, Noélia Dias de Oliveira, que foi a vereadora no município de Carmópolis entre 1947 e 1951; a primeira vereadora de Aracaju, Maria Carmelita Cardoso Chagas; a primeira prefeita em Sergipe, em Estância, Núbia Nabuco Macedo, com mandato em 1950; a primeira deputada estadual de Sergipe, Quintina Diniz; a primeira deputada federal por Sergipe, Tânia Soares; a primeira senadora por Sergipe, Maria do Carmo Alves, e a primeira vice-governadora de Sergipe, Marília Mandarino.

 

Visitação

O Palácio Museu Olímpio Campos é vinculado à Secretaria de Estado da Casa Civil. Além das salas de exposição, possui algumas salas no térreo do prédio, onde funcionam setores administrativos do museu: a Coordenação de Educação e Pesquisa, Coordenação de Museologia, sala do diretor, além da sala de espera, sala do gabinete da secretária do governador, três salas para secretários de Estado e o gabinete do governador.

Com acesso gratuito, o Palácio Museu Olímpio Campos funciona de terça a sábado, das 9h às 16h30. A visitação é guiada por monitores, entre eles, estagiários dos cursos de História, Turismo e Museologia, com duração entre 45 e 55 minutos. No máximo, são formados grupos com até 12 pessoas. Mas atenção: é importante saber que, nessa incursão pela história política de Sergipe, o visitante tem que deixar seus pertences no guarda-volumes, não pode fazer o registro fotográfico, nem tocar nos objetos.