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Oceanário de Aracaju é uma imersão pelos mares do Nordeste

Criado e mantido pelo Projeto Tamar, espaço é considerado o primeiro do Nordeste e o quinto do Brasil

Publicação: 04/06/2024

O Oceanário de Aracaju é um dos maiores aquários do Brasil

Um lugar onde a beleza e a diversidade dos oceanos podem ser apreciadas, proporcionando ao visitante a experiência única de dar um ‘mergulho’ no fascinante mundo marinho. Trata-se de um dos maiores aquários do Brasil, o Oceanário de Aracaju, inaugurado em 2022, na Orla da Atalaia, em Aracaju. Criado e mantido pelo Projeto Tamar, também oferece atividades educativas, como palestras, exposições interativas e programas de conservação ambiental, tornando-se uma experiência educativa e fascinante para todas as idades.

Considerado o primeiro do Nordeste e o quinto do Brasil, o Oceanário de Aracaju está aberto para visitação de terça a domingo, das 10h às 17h. Mas, também, existem duas bases de pesquisa do Tamar em Sergipe: em Pirambu e em Ponta dos Mangues (Pacatuba). Nestes locais, equipes compostas por biólogos, veterinários, engenheiros de pesca, engenheiros ambientais e oceanógrafos realizam o monitoramento das tartarugas, inclusive quando estão em período reprodutivo (de setembro a março). Eles supervisionam os ninhos, marcam as fêmeas e executam pesquisas para entender as rotas migratórias.

Tanque das tartarugas marinhas adultas e juvenis

Ao entrar no Oceanário, os visitantes são recebidos por uma incrível exibição da vida marinha, que inclui tartarugas marinhas, várias espécies de peixes, tubarões, arraias, entre outros. A visitação pode ser espontânea, em que as pessoas exploram todo o espaço sozinhas, ou monitorada, com colaboradores que apresentam cada ambiente.

A primeira parada é no espaço onde há réplicas em tamanho real de quatro espécies de tartarugas marinhas das sete presentes no Brasil: a tartaruga-oliva, tartaruga-de-pente, tartaruga-cabeçuda e a tartaruga-verde. Elas também podem vir para as praias sergipanas com o objetivo de desovar. Lá, o monitor faz um breve histórico sobre o Projeto Tamar, que surgiu há mais de 40 anos para frear a matança das tartarugas marinhas. Isso ocorria quando existia a pesca predatória para consumo dos recursos das tartarugas. O pescadores comercializavam ovos, carne e a carapaça, que era utilizada para confecção de artesanato.

Em seguida, o visitante é direcionado ao tanque das tartarugas marinhas adultas e juvenis, onde há três espécies diferentes: de um lado, duas tartarugas da espécie cabeçuda e uma oliva; e do outro lado, quatro tartarugas-verdes. Mais adiante, está o tanque dos filhotes da espécie oliva com poucos dias de nascidos. Nesse tanque, eles recebem alimentação diariamente, até porque essa é a fase de vida mais importante para as tartarugas marinhas, pois elas têm uma perspectiva de vida bem baixa nessa idade.

Nas incubadoras são identificados os ninhos

A bióloga da Fundação projeto Tamar, Rebeca Oliveira, explica que, em Sergipe, as tartarugas-olivas desovam praticamente o ano inteiro. Assim, os ovos ficam entre 45 e 60 dias contidos em telas (incubadoras), fase do desenvolvimento embrionário até eclodir e emergir até a superfície da areia. Nessas incubadoras são identificados os ninhos e realizada a contagem de dados biológicos (filhotes nascidos, natimortos e ovos que não eclodiram), para depois serem devolvidos para o mar quando são colocados na areia da praia, e eles seguem a caminhada.

 

Um mergulho no fundo do mar

Tanque dos tubarões

O tanque dos tubarões possui diferentes profundidades

O tanque dos tubarões possui diferentes profundidades. A maior delas tem 4 metros. Lá, estão seis tubarões da espécie lixa, que, inclusive, está ameaçada de extinção. O maior deles é uma fêmea adulta, que tem um pouco mais de 2 metros e meio de comprimento, sendo que se trata de uma espécie que pode ultrapassar 4 metros. Esses tubarões são alimentados uma vez por dia em dois horários: 11h e 16h30, oportunidades que, com o auxílio de monitores, o visitante pode tocar nesses tubarões e sentir porque que eles têm esse nome: ‘tubarão lixa’ é por causa da textura da pele, que é bem áspera.

 

Tartaruga-cabeçuda albina

Nesse tanque, há uma tartaruga da espécie cabeçuda albina, que apresenta essa condição genética rara. Justamente por não produzir melanina, esse animal não tem chances de sobrevivência na natureza, porque que se tornam alvos fáceis para os predadores. Essa tem menos de 10 anos de idade. Nasceu em um ninho monitorado no Rio de Janeiro e foi transferida para o Oceanário de Aracaju.

 

Tartaruga-pente

Nesse tanque, há duas tartarugas da espécie pente, uma das mais ameaçadas de extinção. Essas tartarugas têm esse nome popular (pente) devido à beleza do casco que, no passado, era muito visado na pesca predatória para fazer diversos tipos de artesanatos, como pentes, armação de óculos, joias e bijuterias.

 

Aquários com espécies de água doce e salgada

Espaço com a exposição de crânios e carcaças de tartarugas marinhas

Nessa parte do Oceanário, há 17 aquários com os peixes marinhos, e de água doce. Em cada aquário, existe a imagem que identifica a espécie e o nome científico de cada um. O primeiro deles com peixes mais ‘recifais’ que vivem na costa sergipana (mais em mar aberto nos costões rochosos e recifes de coral). Entre eles, polvo, mero-gato, garoupinha, os peixes cirurgião e sargentinho. Mais adiante, há um espaço com a exposição de crânios e carcaças de tartarugas marinhas quando atingem a fase adulta, entre elas, da espécie couro, que não existe em Sergipe.

O visitante também vai conhecer o aquário com tubarões lixas em idade adulta e juvenil. Entre eles, também o filhote de tubarão lixa que nasceu no tanque do Oceanário de Aracaju, e é o primeiro caso de reprodução dessa espécie em Aracaju. Desde 2013, esses tubarões já se reproduzem em piscinas do projeto Tamar. Percorrendo esse ambiente com dezenas de aquários, também há os com animais marinhos invertebrados e crustáceos, como caranguejo, siri, lagosta, anêmonas do mar nas pedras e caranguejo tarântula.

Aquários com os peixes marinhos, e de água doce

Também existem aquários com peixes de água doce (amazônicos), como oscars, tambaquis, pirarucus, pirararas, tucunaré (espécie amazônica) e o piau de três pintas (espécie do São Francisco). Também chama a atenção o aquário com uma tartaruga cabeçuda leucística (tartaruga-verde), cuja característica é uma mutação genética que causa a despigmentação em algumas partes do corpo. A diferença dela para a albina é que a segunda não produz melanina, é 100% despigmentada. Já a leucística ainda produz o pigmento. O olho dela é diferente do dos animais albinos, mas também tem as mesmas ameaças para sobrevivência na natureza. Aos finais de semana, as crianças ajudam a alimentar as tartarugas marinhas com o auxílio de monitores. Isso acontece aos sábados e domingos, às 11h30.

Aquário ‘Oceano’, cuja estrutura no fundo simula a base de uma plataforma de petróleo

Durante a visitação, o último aquário é o ‘Oceano’, maior tanque de água salgada do Oceanário, cuja estrutura no fundo simula a base de uma plataforma de petróleo, que tem muito em Sergipe. Nele, estão mais de dez espécies de pequeno e grande portes, como o mero (espécie ameaçada de extinção), arraias, robalo-flexa, xaréu entre outros. Com mais de 150 mil litros e mais de 4 metros de profundidade, é uma das principais atrações do Oceanário, porque proporciona uma visão panorâmica deslumbrante do habitat marinho, inclusive, todos os dias às 16h15, o visitante pode acompanhar a alimentação dos peixes desse tanque.

 

Lojinha do Projeto Tamar

Lojinha do Projeto Tamar: variedade de produtos 

Na lojinha do Projeto Tamar, em Aracaju, o visitante pode encontrar uma variedade de produtos relacionados à conservação das tartarugas marinhas, como camisetas, bonés, chaveiros, canecas, livros educativos e outros itens temáticos confeccionados em Regência (ES), e também produtos artesanais (camisetas) produzidos por comunidades locais de Pirambu (SE), que consiste numa iniciativa que ajuda a promover o desenvolvimento sustentável da região. É importante destacar que a venda de produtos da lojinha e bilheteria são revertidas para a geração de emprego e renda para pessoas da comunidade local e contribui diretamente para o trabalho de conservação e pesquisa.

 

CURIOSIDADES:

  • As tartarugas nascem em uma praia e, apesar de serem animais muito migradores, que percorrem quase todos os oceanos, elas voltam à mesma praia onde nasceram depois de 20 anos para desovar. É nessa caminhada da areia até o mar que elas conseguem gravar na memória características dessa areia da praia, pois elas têm cristais de magnetita no cérebro, uma pedra ímã muito poderosa. Assim, elas conseguem se orientar pelo campo magnético da terra.

 

  • As tartarugas da espécie olivas são as que mais nascem em Sergipe, mas elas têm uma preferência: se alimentar na costa da África. No entanto, 20 anos depois, elas retornam a Sergipe para desovar.

 

Fotos: Max Carlos/Setur