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Museu da Gente Sergipana é complexo cultural que une passado, presente e futuro

No primeiro museu de multimídia interativo do Norte e Nordeste, tradições do povo sergipano são celebradas por meio de recursos audiovisuais e tecnológicos

Publicação: 15/05/2024

O Museu da Gente Sergipana funciona numa construção de 1926

O Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda é uma imersão na cultura sergipana. Primeiro museu de multimídia interativo do Norte e Nordeste, ele faz com que os sentidos sejam aguçados, proporcionando a aproximação do lúdico com o mundo real. É comparável ao Museu da Língua Portuguesa e ao Museu do Futebol, ambos em São Paulo. Inaugurada em 2011, essa instituição cultural que funciona numa construção de 1926, o antigo Colégio Atheneu Dom Pedro II, popularmente chamado de “Atheneuzinho”, passou por restaurações pelo Governo do Estado, por meio do Banco do Estado de Sergipe (Banese) e é mantida pelo Instituto Banese.

A edificação mede 1.660,81 metros quadrados, sendo 921,55 metros quadrados no térreo e 739,26 metros quadrados no pavimento superior, além de 2.490 metros quadrados na área do estacionamento. Nela, a história, a cultura e as tradições do povo sergipano são celebradas por meio de recursos audiovisuais, tecnologia interativa e exposição do acervo do Patrimônio Cultural Material e Imaterial de Sergipe. Tudo é distribuído em salas temáticas, que oferecem uma experiência única e informativa.

Penduricalhos no teto do museu ilustram elementos da cultura sergipana

Logo na entrada, dando as boas-vindas ao visitante, penduricalhos no teto do museu ilustram elementos da cultura sergipana, como réplicas de caranguejos, candeeiros, esculturas em madeira, entre outros. No foyer, um piano do século XIX se destaca. O instrumento musical pertenceu ao famoso maestro de Capela, Leozírio Guimarães, fundador da Sociedade Filarmônica de Sergipe (Sofise), que o doou ao Instituto Banese.

No pavimento térreo, há duas exposições de longa duração: uma que fica em frente à entrada do auditório, cuja curadoria é da professora e pesquisadora Germana Gonçalves de Araújo, retrata obras do ilustrador e caricaturista Cândido Aragonês de Faria, sergipano de Laranjeiras, com cartazes de conteúdo informativo e ilustrativo; e a outra, “Mamulengo de Cheiroso: a magia no teatro de bonecos”, sobre o Mamulengo de Cheiroso, grupo de teatro de bonecos, criado em 1978. Por meio de fotografias, depoimentos e uma linha do tempo rica em detalhes, neste espaço, é retratado o folclore, a oralidade, o vestuário e a música do grupo. A curadoria tem a assinatura dos arquitetos de Ezio Déda e Eduardo Lucas Vieira. Também no pavimento térreo, estão a lojinha com artesanato local, o restaurante Café da Gente, além do Instituto Banese, órgão gestor do Museu.

Com duração, em média, de uma hora e 20 minutos, a visitação pode ser agendada na plataforma do Museu, (https://www.museudagentesergipana.com.br) na aba ‘AGENDE SUA VISITA’ para grupos a partir de nove pessoas. Mas, também, pode ser realizada de forma espontânea diretamente na bilheteria do Museu. A entrada é gratuita, e o Museu funciona de terça a domingo, das 10h às 15h.

 

Conhecendo instalações permanentes

O supervisor Carlos Viana é um dos colaboradores do museu

O pavimento superior do Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda possui sete salas com mais de 18 exposições interativas, onde educadores, estudantes de várias áreas do conhecimento (Letras – Português, Inglês, Espanhol e Libras –, História, Geografia, Arquitetura e Urbanismo, Teatro, Gestão de Turismo, Artes Visuais e Dança) falam sobre a ambientação. Um detalhe: a mediação, além de ser apresentada na língua portuguesa, também é oferecida em outros idiomas, assim como em Libras e áudio-descrição. O supervisor Carlos Viana é um dos colaboradores que acompanham o visitante no tour pelo museu. Então, venha conheça as instalações permanentes.

 

‘Josévende’

Neste espaço, a interação de forma divertida

Com o nome ‘Josévende’, essa instalação representa as feiras livres em Sergipe, inspirada em duas delas, as mais conhecidas: de Itabaiana, no Agreste sergipano, e de Nossa Senhora da Glória, no Sertão. No espaço, estão expostos objetos, como peças de artesanato em couro e cerâmica, vassouras de pindoba, rendas e bordados, entre outros. Lá, o visitante se depara com o personagem que dá nome ao espaço, José, feirante que oferece produtos e mercadorias, e permite a interação de forma divertida por meio de um microfone instalado na frente desse palco de atuação.

 

Corredor dos Falares

No Corredor dos Falares, um pouco do linguajar do povo sergipano

Em todo o corredor do pavimento superior do Museu, o Corredor dos Falares tem nas paredes palavras e expressões do dia a dia, um pouco do linguajar do povo sergipano. Também é possível conhecer o significado desses vocábulos típicos.

 

Nossos Leitos

Esse ambiente proporciona ao visitante conhecer a natureza e a biodiversidade de Sergipe. Nele, há dois painéis: um é sobre a vegetação típica de cada região, como o Alto Sertão, Caatinga, Mata Atlântica e Manguezais; o outro, sobre a fauna, descrevendo os animais presentes, entre eles, o macaco guigó, primata descoberto no estado no ano de 1999, sendo que este animal está presente somente em Sergipe e na Bahia. Em Nossos leitos, também está o túnel interativo, com projeções em 360 graus dos ambiente citados anteriormente, proporcionando uma visita imersiva e sensorial pelas diversas paisagens sergipanas.

 

Nossos Pratos

Mesa interativa onde são projetados 21 pratos da culinária sergipana

Nessa instalação, há uma mesa interativa onde são projetados 21 pratos da culinária sergipana. Com a sombra da mão, o visitante escolhe os ingredientes que compõem um típico prato sergipano, a exemplo da moqueca. Ao lado, está ambientada uma casa de taipa com uma cozinha tradicional e vários objetos, como fogão a lenha, tacho de cobre, pilão, entre outros.

 

Nossas Roças

Homenageando a primeira atividade econômica do estado, a produção agropecuária, que, inclusive, também é uma das mais tradicionais fontes de renda em Sergipe, na instalação Nossas Roças, há um jogo educativo, a fazendinha, que mostra o funcionamento de uma pequena lavoura sergipana. Nesse joguinho, o visitante opta por agricultura ou pecuária. Assim, o visitante pode semear, regar, colher, alimentar e vender. É uma brincadeira bem divertida!

 

Nossos Marcos

Nessa instalação, o visitante brinca com o pião e conhece alguns dos monumentos que compõem o patrimônio arquitetônico de Sergipe. Eles são projetados na mesa, onde o pião é lançado. Bem interessante!

 

Midiateca

Nesse espaço, também está a Renda do Tempo

Trata-se de uma sala equipada com terminais interativos (iPads), onde o visitante tem acesso a todo o conteúdo digitalizado do museu, assim como livros que versam sobre a história, geografia e cultura popular sergipana. Nesse espaço, também está a Renda do Tempo, painel rodeado de renda irlandesa, que traz uma linha do tempo com os principais momentos da história de Sergipe.

 

Nossas Praças

Carrossel de Tobias, maior atração das festas natalinas nas décadas de 1940 e 1950

A instalação Nossas Praças faz referência às praças mais conhecidas de Sergipe, que são projetadas num telão. No centro, fica o Carrossel de Tobias, maior atração das festas natalinas nas décadas de 1940 e 1950, montado no Parque Teófilo Dantas, ao lado da Catedral Metropolitana de Aracaju. Esse carrossel, que tem quatro cavalinhos e o boneco Tobias, foi fabricado nos Estados Unidos e chegou a Aracaju em 1904. Ele funcionou até 1984 e está conservado no museu com peças originais que foram cuidadosamente restauradas. Para apreciação do visitante, é acionado o carrossel, que gira lentamente ao tempo que uma valsa é executada ao som da sanfona.

 

Nossas Histórias

Indumentária que fez parte da cenografia do filme “O Senhor do Labirinto”

Nesse ambiente, o visitante passa por um labirinto de espelhos que abriga vários nichos: “Saberes dos Povos Originários de Sergipe”, inclusive, sobre os ciclos econômicos do estado com peças em miniatura do escultor Véio, que retratam objetos de compõem uma casa de farinha, assim como artesanato em madeira; “Povos Pretos”, com saberes das comunidades quilombolas de Sergipe, homenageando, também as representantes Zefa da Guia, Zefa do Sítio Alto e Nadir da Musssuca; e a exposição “Arthur Bispo e Seu Rosário”, com réplicas das obras dele confeccionadas por artesãs sergipanas. Essas indumentárias fizeram parte da cenografia do filme “O Senhor do Labirinto”. Essa instalação abriga, ainda, a Parede de Ouro, com a exposição que referencia as expedições de Belchior Dias Moréia, responsável por alardear a descoberta de uma grande quantidade de prata na Serra de Itabaiana.

 

Nossos Cabras

O visitante pode ouvir a história, experiência e feitos de protagonistas da história de Sergipe

Trata-se de uma galeria com seis protagonistas da história de Sergipe e do Brasil. São eles: João Ribeiro, Maria Thetis Nunes, Arthur Bispo do Rosário, Virgulino Ferreira, o Lampião, Tobias Barreto e Sílvio Romero. Além da foto da personalidade, há um fone de ouvido, onde o visitante pode ouvir a história, experiência e feitos de cada um.

 

Músicos da Gente

Galeria homenageia artistas que enriqueceram a cultura do estado através da música

Nesse ambiente, a galeria homenageia artistas que enriqueceram a cultura do estado através da música, mas que já faleceram. São eles: Marluce, Josa, o vaqueiro do sertão, Clemilda, Ismar Barreto, Paulinha Abelha, Rogério e José Augusto Sergipano.

 

Seu Cordel

Espaço dedicado à literatura de cordel

Esse espaço é dedicado à literatura de cordel, herança ibérica trazida pelos portugueses. Na cabine, há folhetos de cordelistas sergipanos pendurados em barbantes. Lá, o visitante escolhe um folheto, grava a leitura como se fosse um karaokê e, depois, envia para o próprio e-mail.

 

Seu Repente

Neste espaço, o visitante observa o repente e improvisa uma resposta

Nesse espaço, o repente, que é uma cantoria improvisada, é apresentada por meio de repentistas. Nessa instalação, o visitante observa o repente e improvisa uma resposta em cima do tema proposto. Na parede, há palavras que podem auxiliar no improviso. Também é possível gravar a participação e publicá-la no YouTube.

 

Nossos Trajes

No espelho são projetados os trajes de brincantes de manifestações culturais

Nessa instalação, o visitante fica num tapete em frente a um espelho, no qual são projetados os trajes de brincantes de manifestações culturais, como o Cacumbi, Maracatu, Parafuso, entre outros. Inclusive, nesse espelho, também são projetados os movimentos do visitante.

 

Nossas Festas

Nessa parte do museu, há uma amarelinha que permite ao visitante brincar de ‘macacão’, oportunidade em que pode conhecer algumas manifestações culturais, populares e religiosas de Sergipe.

Jogo de amarelinha que permite o visitante brincar de ‘macacão’

Nossas Coisinhas

Nessa instalação, um painel simula o jogo da memória com objetos minúsculos que representam grandes coisas da cultura sergipana, como a peteca, objetos em palha, entre outros.

 

Mapa da gente

No átrio do museu, a representação do mapa de Sergipe com os territórios de planejamento

Esse é o último ambiente visitado durante o passeio no Museu da Gente Sergipana. Localizado no átrio do museu, no chão, está a representação do mapa de Sergipe com os territórios de planejamento. Nele, está plotado um QR Code em que o visitante pode direcionar para o Instagram dele filtros de trajes dos personagens do grupos populares de Sergipe, como a Taieira, Reisado, entre outros.