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Memorial de Sergipe: uma imersão nas raízes culturais e históricas do Estado

Acervo possui mais de 30 mil peças – desde fósseis a documentos e fotos históricas –, reunidas em inúmeras salas temáticas   Espaço cultural que proporciona uma imersão na história […]

Publicação: 09/04/2024

Acervo possui mais de 30 mil peças – desde fósseis a documentos e fotos históricas –, reunidas em inúmeras salas temáticas

 

Acervo do Memorial de Sergipe tem mais de 30 mil peças

Espaço cultural que proporciona uma imersão na história e na cultura do Estado, o Memorial de Sergipe é um espaço museológico que cumpre o propósito de preservar a memória sergipana, principalmente no que diz respeito às manifestações histórico-culturais. Idealizado pelo reitor da Universidade Tiradentes (Unit), Jouberto Uchôa de Mendonça, e por professores do Departamento de Educação da Unit, é mantido pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). Abriga no acervo mais de 30 mil peças, que vão desde fósseis até documentos e fotos históricas, reunidas em inúmeras salas temáticas. Nelas, há, ainda, coleções particulares de artistas renomados, como Rosa Faria, Constâncio Vieira, Lourival Baptista, Sabino Ribeiro, Francisco Rollemberg Leite, Tobias Barreto, entre outras personalidades.

Inaugurado no dia 20 de janeiro de 1998, o Memorial funcionou na Avenida Beira Mar, em Aracaju, até 2013. Durante o tempo em que esteve desativado, as obras foram preservadas até a mudança para a nova sede, inaugurada dez anos depois, no dia 20 de outubro de 2023, no prédio da antiga Galeria de Arte Ana Maria Alves, na Praça de Eventos da Orla da Atalaia. O prédio é dividido em dois pavimentos (térreo e pavimento superior), com salas onde um rico acervo museológico está em exposição permanente. Nelas, várias coleções preservam e divulgam a identidade sergipana, conectando gerações, unindo o passado e o presente, e tendo como foco preservar e valorizar as manifestações culturais de Sergipe.

A museóloga e gestora do museu, Sayonara Viana.

A museóloga e gestora do Memorial de Sergipe, Sayonara Viana, explica a nova concepção do museu e a importância dele para a sociedade. Segundo ela, o novo conceito foi idealizado durante seis anos – portanto, desde 2018 –, a partir de muita pesquisa, dialogando com a tecnologia e envolvendo uma equipe multidisciplinar, composta por arquitetos, antropólogos e arqueólogos. Desse modo, foram trabalhados métodos e técnicas de pesquisa histórica, assim como a etnografia das narrativas, e a partir de entrevistas com personalidades da cidade, grupos folclóricos e também com fontes documentais de jornais. “Desde que foi reinaugurado, o Memorial recebe, diariamente, cerca de 300 alunos de escolas públicas e particulares, além de muita gente de fora do estado, que vem conhecer a nossa história”, ressalta.

Considerando o Memorial um espaço de identidade da cultura do Estado, que fortalece o sentimento de pertencimento do povo sergipano, Sayonara Viana enfatiza, ainda, que é importante valorizar a memória de Sergipe, porque somente assim é possível apresentar para os turistas de outros estados o que o Estado tem de melhor. A museóloga, inclusive, informou que, em junho, de 1º a 13, será exibida uma mostra sobre o São João de Sergipe na sala de exposições temporárias. Então, serão convidados artistas e pesquisadores para a ‘Trezena da Arte’, que contará, também, com apresentação de palestras.

 

Experiências fascinantes e imersivas

A bibliotecária Fabiana Cruz, responsável pelo acervo da Biblioteca Lourival Baptista

Em cada sala do Memorial de Sergipe, são proporcionadas experiências sensoriais, interativas, imersivas, fascinantes e inesquecíveis. A Biblioteca Lourival Baptista, que fica no primeiro pavimento, por exemplo, revitaliza a memória política de Sergipe por meio da preservação e da divulgação do acervo de um dos mais notórios homens públicos da história de Sergipe, que empresta o nome ao espaço. É o que ressalta a bibliotecária Fabiana Cruz, responsável pelo acervo da biblioteca. De acordo com ela, ali, estão disponibilizados documentos sobre a vida e a obra de Lourival Baptista, contando com 20 mil fotografias no acervo iconográfico, mais de 2 mil objetos pessoais e mais de 6 mil exemplares dos livros escritos por ele.

Há, também, outros acervos, como o do jornalista Joel Silveira, que narrou a Segunda Guerra Mundial, do ex-governador Paulo Barreto de Menezes e da Sociedade Filarmônica de Sergipe (Sofise). “Aqui, temos livros raríssimos sobre Política, Medicina e História de Sergipe. Portanto, é muito importante manter esse arquivo bibliográfico, que está disponível para consulta local”, informa.

 

Um ‘tour’ pelo Memorial

O guia de turismo e monitor do Memorial de Sergipe, Glaudson Souza

O Memorial de Sergipe Prof. Jouberto Uchôa está de portas abertas para receber o visitante, que pode optar pela visita guiada ou também pode ficar à vontade para conhecer as salas de exposição repletas de história e de cultura aliadas à tecnologia. O guia de turismo e monitor do Memorial de Sergipe, Glaudson Souza, por exemplo, está disponível para orientar as pessoas que quiserem explorar o museu, fazendo um ‘tour’ pelo espaço.

 

 TÉRREO

 

Cine Theatro Rio Branco

O auditório do Memorial de Sergipe é a reprodução do Cine Theatro Rio Branco

Logo na entrada do Memorial, o visitante tem a oportunidade de conhecer a reprodução de um dos locais que marcaram época em Aracaju, o Cine Theatro Rio Branco. O cinema foi inaugurado em 1913, em homenagem ao sergipano Juca Barreto, pioneiro da cinematografia em Sergipe, e funcionou entre 1913 e 2002. No Memorial, esse espaço é o auditório, que foi transformado em uma reconstituição do cinema. No cenário, há cartazes de filmes da época, assim como placas de artistas que se apresentaram na década de 1950, a exemplo do tenor lírico italiano Tito Shipa, da atriz Italia Fausta e da intérprete lírica brasileira Bidu Sayão. As poltronas são as mesmas do extinto Teatro Tiradentes com 120 assentos.

Galeria Unit

A Galeria Unit retrata a história da Universidade Tiradentes

Passando por um corredor e adentrando numa sala com dois ambientes, é contada a história da Universidade Tiradentes (Unit). Nesse espaço, há uma exposição de documentos, placas e medalhas, além dos bustos do professor Jouberto Uchôa de Mendonça e de Dona Amélia Cerqueira Uchôa. A mostra narra a história deles, que foram os fundadores do Ginásio e do Colégio Tiradentes (inaugurados em 1962), Faculdades Integradas Tiradentes (em 1970), Universidade Tiradentes (inaugurada em 1994) e o Memorial de Sergipe (em 1998).

Nossa Cultura

Nessa sala, a réplica da casa de um sertanejo com paredes de pau a pique

Os Patrimônios Cultural e Imaterial de Sergipe Barco de Fogo, Renda Irlandesa, Tototó e Amendoim Cozido são retratados neste ambiente do Memorial, assim como a manifestação folclórica Chegança e o mapa que apresenta as mais de 150 manifestações culturais presentes no Estado, agregando, também, cerca de 3 mil festas religiosas e profanas.

Nessa sala, há também a exposição de Cícero Alves dos Santos, conhecido como “Véio”, que, em 1986, foi considerado pelo “Guiness World Book”, o livro dos recordes, o maior miniaturista do Brasil pelas milhares de peças de tamanho variado com até 3 milímetros talhadas em madeira. Na exposição, figuras humanas inspiradas na cultura, situações de vida e o sofrimento do homem sertanejo.

Pré-história Sergipana, Ritos Fúnebres e Povos Originários

Na sala Pré-História Sergipana, o acervo arqueológico e paleontológico

A sala reúne acervo arqueológico e paleontológico do poeta, historiador e antiquário são-cristovense José Augusto Garcez, que relatou as primeiras notícias sobre a pré-história sergipana por meio de objetos arqueológicos pré-históricos e paleontológicos com fragmentos de fósseis, entre eles, a falange da preguiça-gigante encontrada em Canhoba, na região do Baixo São Francisco em Sergipe. Nesse espaço, também há uma linha do tempo desde a Pangeia até como se deu a formação do Estado de Sergipe. Além disso, a sala retrata a cultura e a história dos povos originários do Estado, as diversas tribos, entre elas, a Xocó, com instrumentos de caça, vestes, musicais e ritos fúnebres, com a exposição de uma urna funerária da época e também um exemplar do pau-brasil.

Carta de Tolosa

No espaço, é projetada numa tela a Carta de Tolosa, escrita pelo padre Inácio de Tolosa. O documento descreve o desbravamento das matas sergipanas e a catequese dos índios pelos emissários da Companhia de Jesus, que vieram para o Brasil na metade do século XVI. Por meio de um fone de ouvido, o visitante tem a oportunidade de ouvir a narração dessa carta.

Da terra, do mar

Esse ambiente retrata as principais atividades econômicas de Sergipe: gado, cana, mandioca, fumo e algodão, com a exposição de ferramentas, objetos e até a réplica da casa de um sertanejo com paredes de pau a pique.

Sala de Exposição Temporária

A exposição “Soldados da Vida: uma longa história” 

A cada três meses, a sala de exposição temporária recebe uma nova mostra. Atualmente, está exposta a “Soldados da Vida: uma longa história”, que oportuniza ao visitante conhecer a centenária história do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE), que, em 2024, comemora 104 anos. A exposição conta com cerca de 200 peças, entre elas, uniformes, equipamentos, fotografias antigas, documentos, medalhas e broches. Todo esse material é acervo pessoal de um bombeiro apaixonado pela profissão e pela história da corporação, o subtenente Luiz Delfino.

 

 PAVIMENTO SUPERIOR

 

Caminhos da República

Sala dedicada ao estudo da história política de Sergipe

Essa sala é dedicada ao estudo da história política de Sergipe, com ênfase para os governantes do Estado desde a Independência (1820) até os dias contemporâneos. Nela, são expostos vídeos sobre política sergipana em diversos momentos da História, símbolos do poder e também o acervos de dois políticos de Sergipe: Lourival Baptista e Paulo Barreto de Menezes, além dos bustos de três governadores: Augusto Franco, João Alves Filho e Marcelo Déda.

 

Sergipe Império

Essa sala é um complemento da sala Caminhos da República. Nela, são narradas as visitas do Imperador Dom Pedro II, a esposa dele e toda a tripulação em um roteiro de visitas que abrange praticamente todos os locais da Província de Sergipe.

Tobias Barreto: a vida e a obra

Nessa sala, estão as coleções particulares, fotografias e documentos de Tobias Barreto (1839-1889), ilustre sergipano que foi filósofo, escritor e jurista brasileiro.

Rosa Faria: o pincel do tempo

Nessa sala, está exposta a coleção da artista plástica Rosa Faria, que foi adquirida em 1997 e se tornou o fio condutor para a exposição de longa duração em que é contada a história da fundação de Aracaju, assim como a percepção dela ao visitar outros municípios sergipanos, retratados em pinturas nas louças de porcelana e azulejos.

Aracaju Antiga – Nos trilhos da Memória

Réplica do famoso bondinho, que percorria a antiga Rua da Aurora

Essa sala possibilita ao visitante não apenas uma experiência visual por meio de cartões-postais e vídeos, mas, também, sensorial com a réplica do famoso bondinho, meio de transporte público incorporado na capital, cujo percurso era o Centro da cidade (antiga Rua da Aurora), e que funcionou na primeira metade do século XX entre os anos de 1926 e 1950. Ao fazer esse ‘passeio’, são aguçados os sentidos do visitante numa imersão que conta com recursos audiovisuais por meio da narração do percurso e projeção das paisagens, cujos traços são do artista sergipano Tintiliano.

Segunda Guerra Mundial em Sergipe

Mural com o nome dos 192 sergipanos que foram à Itália convocados para a guerra

Esse espaço tem um mural com o nome dos 192 sergipanos que foram para a Itália convocados para a Segunda Guerra Mundial. A sala destaca, entre esses sergipanos, o general Walter de Menezes Paes, soldado Zacarias Izidoro Cardoso, o jornalista Joel Silveira e o tenente-aviador Aurélio Sampaio, que, em 22 de janeiro de 1945, ao retornar de uma missão, atacou um comboio camuflado e foi abatido pela artilharia nazista, falecendo aos 21 anos. Na Sala da Segunda Guerra Mundial, está o atestado de óbito dele.

 

Meios de comunicação

A sala Meios de Comunicação é uma ‘viagem’ na história dos meios de comunicação. Nela, está exposta a evolução de equipamentos a partir de uma linha do tempo, desde o telégrafo, aparelhos telefônicos antigos, assim como aqueles utilizados em orelhões, até os primeiros modelos de telefones celulares.

Música de Todos os Tempos

Na sala Música de Todos os Tempos, vitrolas do colecionador Gamaliel Menezes Sousa

Nessa sala, há um rico acervo que retrata a evolução dos instrumentos de reprodução de som no mundo. Uma exposição apresenta instrumentos variados, desde gramofones, rádios, instrumentos de sopro, a uma grande coleção de discos de vinil, além de vitrolas do acervo do colecionador Gamaliel Menezes Sousa, que residiu em Maruim (SE) e que colecionou esses objetos por quase cinco décadas, criando uma das maiores coleções fonográficas do Brasil. Ele foi um dos poucos mecânicos de vitrola do país e de Sergipe.

Notáveis sergipanos

Na sala Notáveis Sergipanos a estátua do pugilista Maguila

A sala Notáveis Sergipanos mantém viva a memória de grandes sergipanos: Maria Feliciana, que aos 18 anos recebeu o título de Rainha da Altura, com seus 2,25 metros, no programa do Chacrinha, e o pugilista Maguila, primeiro brasileiro campeão mundial dos pesos-pesados. Na exposição, há a faixa e a coroa de Feliciana, e a estátua em tamanho real do ex-lutador de boxe.

 

 

 

Pinacoteca de Sergipe

Na Pinacoteca, o acervo de artes plásticas da instituição

Reúne no acervo de artes plásticas da instituição peças que vão do estilo clássico ao contemporâneo e que abordam vários gêneros, tendo Sergipe como temática. Entre os temas, paisagens, retratos, natureza morta e assuntos religiosos. Tem como autores Leonardo Alencar, José Lima, João Bosco, J. Inácio, entre outros.

 

 

 

Como chegar

O Memorial de Sergipe Professor Jouberto Uchôa fica na Praça de Eventos da Orla da Atalaia, em Aracaju, e está aberto à visitação pública de terça a sábado, das 10h às 16h. O acesso custa R$ 30,00, e é concedida meia-entrada para professores e estudantes, e gratuidade para escola pública, idosos e portadores de deficiência.

Fotos: Max Carlos/Setur